Simulações

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Somos realmente um país pacífico?

No começo dessa semana, algumas notícias chocaram por mostrar a agressividade que nossa “sociedade bossa nova” vive. A onda de linchamentos começou no último sábado com o assassinato de um jovem de 16 anos, na Bahia; prosseguiu no domingo com agressões gratuitas contra um motorista de ônibus, em São Paulo, e um morador de rua, no Rio Grande do Sul; terminando com a morte de um suspeito de assassinato na segunda-feira, no Pará.

O que seria apenas um desentendimento entre dois primos terminou com seis jovens matando um adolescente de 16 anos. O primo do morto teria jogado um paralelepípedo na cabeça da vítima, que levou chutes dos outros envolvidos. O motivo do conflito seria ciúmes, já que o menor teria ficado com a ex-namorada do principal agressor. [Link]

Na noite do domingo, um motorista de ônibus sofreu um mal estar e acabou batendo em três carros e três motos, além de atropelar um jovem, sem gravidade. Populares que estavam em um baile funk, e possuem um enorme discernimento, atacaram o motorista, que acabou morto. O fato aconteceu na zona leste de São Paulo. O condutor do ônibus tinha 59 anos. [Link]

Na mesma noite de domingo, um grupo de adolescentes de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, espancaram um morador de rua de 35 anos com chutes, socos e pedradas. Ele acabou sendo socorrido e levado para o hospital, onde veio a falecer na terça-feira. Três jovens, entre 18 e 23 anos, foram presos em flagrante e estão na Penitenciária do Jacuí, em Charqueadas. [Link]

Na tarde da segunda-feira, populares assassinaram um ajudante de pedreiro após ele ter assassinado sua namorada com um terçado, uma espécie de facão. O pedreiro cometeu o crime na frente dos filhos, de 4 e 5 anos. A revolta dos vizinhos pela violência do crime foi tamanha que acabaram por matá-lo. Ele chegou a ser socorrido pela SAMU, mas faleceu. [Link]

Ao todo, foram quatro linchamentos em quatro regiões diferentes do país. Três delas por motivo fútil. Que leitura podemos fazer desses acontecimentos? Não somos um país pacífico, embora o banquinho e o violão sejam exemplos de nossas imagens lá fora. Somos um país que não acredita na justiça, em específico no segundo caso. Não somos solidários, em especial nos casos ocorridos no domingo. Precisamos repensar várias coisas, por enquanto um pouco de tolerância não faz mal pra ninguém.

Thales Barreto

Cai corregedora do caso da Escrivã

A delegada da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, Maria Inês Trefiglio Valente, acabou sendo transferida para a Delegacia Geral de Polícia Adjunta. Maria Inês Trefiglio Valente achou “normal” a atitude dos delegados ao despirem uma escrivã suspeita de concussão.

O blog comentou este caso em dois post: Escrivã suspeita de receber propina é humilhada por delegado | Secretário afasta delegados envovidos no caso da Escrivã

Era esparado o desligamento dessa delegada desde segunda-feira. Não é aceitável uma delegada achar que foi correta uma atitude exagerada como a que foi cometida contra a escrivã. Resta o governador de São Paulo vou tar a trás e lamentar que sua polícia aja daquela maneira, já que ele apenas lamentou o vazamento desse vídeo. Antes tarde do que nunca.

Thales Barreto

Secretário afasta delegados envovidos no caso da Escrivã

A secretaria de segurança pública de São Paulo afastou na noite desta segunda-feira dois delegados que participaram da operação que terminou em abuso de uma escrivã acusada de receber propina. O blog comentou o caso hoje pela manha. A informação do afastamento é do G1.

Acho positivo a ação do secretário, embora ela só tenha ocorrido quando o vídeo do abuso se tornou público, um ano e meio após o fato ocorrido. Ainda é lamentável a manutenção da corregedora Maria Inês Trefiglio no cargo. Ela achou correta a atitude dos policiais.

Gostaria de acreditar que os envolvidos nesse caso de abuso fossem punidos de forma exemplar, infelizmente não tenho muita esperança que isso ocorra. Vamos ficar no aguardo.

Thales Barreto

Escrivã suspeita de receber propina é humilhada por delegado

Uma escrivã da polícia civil paulista foi acusada de ter recebido propina para liberar um suspeito de ter sido preso por porte ilegal de arma. Ao receber a denuncia a corregedoria da policia enviou um delegado para realizar a ocorrência. Porém o que aconteceu foi abuso de autoridade, contrangimento ilegal entre outras coisas. O caso ocorreu em 2009. Para ter mais detalhes leia aqui ou aqui.

Veja o vídeo:

Não tem como não ficar revoltado com as imagens acima. Mesmo que a escrivã tenha recebido propina ela deveria ser revistada por mulheres, como manda a lei. O fato dela, supostamente, estar cometendo algo ilícito não quer dizer que ela não mereça ser respeitada.

Ao que tudo indica, pelas notas frias e pelo delegado saber onde exatamente estava o dinheiro, o flagrante me parece armado, o que anularia o processo contra a escrivã. Vale salientar que temos questões mais profundas para discutir. Qual é o nível da nossa polícia? Como será que esse policial agiria com a população em geral? Como alguém que deveria fiscalizar a ação da polícia age de maneira tão despreparada?

Não vi se a policial cometeu ou não o crime do qual é acusada, porém o que vi foi um abuso descabido, algo condenável por qualquer pessoa de bom senso. É necessário lembrar que a corregedora da Polícia Civil de São Paulo, Maria Inês Trefiglio, achou a conduta normal. Quanto tempo ela ainda continuará no cargo? É esse o tipo da polícia comandada pelo PSDB?

Thales Barreto

Chuvas no Rio de Janeiro somam mais de 500 mortos

O Rio de Janeiro enfrenta aquilo que pode ser a maior tragédia natural da história do país. Mais de quinhentos mortos em grandes deslizamentos de terra que ocorreram desde a madrugada de quarta-feira na região serrana do estado do Rio afetando principalmente as cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Sumidouro.

Segundo o Jornal Nacional especialistas apontam a falta de controle e planejamento das cidades como uma das causas dessa tragédia. A presidenta Dilma Rousseff comentou da ausência de políticas habitacionais que levam as pessoas a ocuparem áreas de risco como as encostas de morros.

Entre janeiro e abril de 2010 o Rio de Janeiro perdeu 283 pessoas vítimas de deslizamentos de terra. Na virada do ano para 2010 a cidade de Angra dos Reis foi atingida por fortes tempestades que causaram deslizamentos que vitimaram 166 pessoas. No final de 2008 o estado de Santa Catarina também sofreu com as precipitações e perdeu 135 pessoas vítimas de quedas de barreiras. O G1 relembra outras tragédias ocorridas devido os vendavais.

Neste início de 2011 vemos fortes chuvas em diversos pontos do País. No começo desta semana São Paulo estava alagada devido intempéries rápidas, porém intensas. Algumas cidades do estado seguem de baixo de água. Na quinta-feira, 13, São Paulo já registrava 23 mortes.

No estado de Minas Gerais setenta cidades estão em estado de emergência. Segundo a defesa civil dezesseis pessoas já faleceram. Em Porto Alegre (RS) nas tarde de terça (11) e Quinta (13) a água parou as principais avenidas da cidade trazendo transtorno aos moradores. Não houve registro de vítimas fatais.

Não existem culpados, mas sim fatores que podem ser evitados para que as chuvas de verão não causem essas tragédias. Isso passa por programas de habitação, como bem falou a presidenta Dilma, mas também por obras de infraestrutura e conscientização das pessoas. Não adianta reclamar das falta de ação dos governos quando o lixo não é separado, quando a sua parte não é feita.

Tempestades estão ocorrendo em outros pontos do planeta, como na Austrália, mas o número de vítimas é inferior as registradas em Minas Gerais, por exemplo. Isso se deve a infraestrutura, a ação preventiva do poder público e também a concientização das pessoas. É a velha história do cada um precisa fazer a sua parte. Se isso acontecesse, não estariamos diante de tamanha tragédia.

Thales Barreto

Foto: Flickr/ Thales Barreto