Simulações

Tag Archives: Jornalismo

R7 e a Vivo, Zero hora e o DCE da PUCRS

Um tempo atrás os jornalistas ficavam isolados em suas redações pensando o que o leitor estava disposto a ler no dia seguinte. Ali eram decididas as pautas e colocadas em prática. Manifestações podiam ser abafadas com pequenas notas ou simplesmente ignoradas. Hoje as coisas funcionam de maneira um pouco diferente. Nós, jornalistas, corremos, muitas vezes, atrás daquilo que o público emite. Coletamos, atualizamos e devolvemos com algo a mais.

Dois fatos me chamaram a atenção no dia de ontem. O primeiro foi  o portal de notícias da Record, o R7, ter dado uma barrigada anunciando o video publicitário da Vivo como trailer de filme. Embora muito bem sacado pela Agência África, a publicidade fica explícita em seu final.

Será que não viram o vídeo inteiro antes de postar? Será que não perceberam o sutil fato do video ter sido publicado por um usuário chamado “Vivo”? Como isso passou batido pela redação? Pior, como isso foi parar na capa do portal como trailer de um filme que não se tinha comentários?

O segundo fato ocorreu em Porto Alegre. Manifestantes bloquearam a saída do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) por volta das 19h. Duas estudantes foram agredidas, segundo relatos dos manifestantes. Às 19h 12 o site do jornal Correio do Povo, já trazia informações sobre o fato com diversas fotos. Eram dois paragrafos informando que estava acontecendo a ação no campus da Pontifícia.

A Zerohora.com demorou quatro horas para postar uma notícia de cerca de 9 parágrafos, sem fotos em sua primeira versão. Vale ressaltar que leva-se no máximo 30 minutos para chegar do prédio da Zero Hora até a universidade e que o jornal conta com funcionários atuando como professores na faculdade de comunicação, no prédio ao lado do DCE. A demora em postar uma simples nota sobre o ocorrido é vergonhosa.

Recebi duas justificativas para a demora. Uma apontava que, ao levar o furo do jornal concorrente, foi enviada uma equipe ao local para colher informações. É plausível, o que não se tem justificativa é o perfil do jornal no twitter não ter avisado o que estava ocorrendo e que estavam averiguando. A outra desculpa é completamente descabida e fala que a atenção da redação estava voltada para outros acontecimentos (STF, Vulcão, Morte por Gripe A…).

Dos erros ficam as lições. O repórter do portal R7 deveria ter sido um pouco mais malandro e prestado um pouco mais de atenção antes de baixar a cabeça e escrever o texto que iria para a home. Até um blogueiro toma esse cuidado. No final a Vivo ganhou publicidade de graça na capa, ponto pra Agência África.

A segunda lição é que embora não se tenha interesse em noticiar algo não se tem mais como segurar. Uma nota simples e corre para colher mais informações. Podiam ter dado um retweet na notícia do Correio e depois ir atrás de uma exclusiva. Os veículos não são donos da notícia e o público tá mais ligado que antigamente.

Thales Barreto

SBT coloca em risco seu principal telejornal

Na segunda-feira, dia 15 de agosto de 2005, Ana Paula Padrão estreava no SBT e junto com ela entrava no ar o novo telejornal da emissora, o SBT Brasil. A promessa era de um jornal que tinha o compromisso de informar com opinião, de analisar a notícia, de traduzí-la e deixar o telespectador por dentro dos fatos.

Veja a estreia do SBT Brasil, na época com Ana Paula Padrão:

Ana Paula Padrão deixou o comando do telejornal no final de 2006. Carlos Nascimento chegou no SBT no mesmo ano e começou a ancorar o telejornal em dezembro. Seu período a frente do principal jornalístico da emissora de Silvio Santos terminou na última sexta-feira. Nesta segunda, 30 de maio, estrearam na bancada o experiente radialista Joseval Peixoto e a desconhecida Rachel Sheherazade.

Rachel ganhou popularidade após um comentário polêmico sobre o carnaval ser exibido pela TV Tambaú, afaliada do SBT na Paraíba, e disponibilizado na internet. Joseval tem carreira extensa no rádio com passagens pela Rádio Clube Marconi de Paraguaçu Paulista e Rádio Bandeirantes. Atualmente é âncora do Jornal da Manha da Rádio Jovem Pan.

Trocar Carlos Nascimento por uma dupla de desconhecidos do público da televisão é arriscado, principalmente quando está em jogo o mais importante telejornal da emissora. Acredito que ambos, Joseval e Rachel, deveriam ser aproveitados de maneira diferente.

Sheherazade não tem condições de segurar o principal telejornal do SBT. Ela poderia ganhar um jornalístico ao meio dia, para São Paulo, ou apresentar um informativo no meio da tarde para todo o país. O risco de não dar certo é muito grande.

A utilização de Joseval como âncora é tremendamente arriscado. Ele se encaixaria perfeitamente no papel de comentarista do programa que hoje comanda.

O SBT sangra seu principal produto informativo. Será que o enfraquecimento é proposital? O que entra hoje no ar por volta das 19h 30 não é nem um esboço do que foi levantado por Ana Paula Padrão em 2005.

Thales Barreto

Foto: Divulgação

Globo News estreia nova identidade visual

Ao completar 14 anos o canal fechado de notícias 24 horas das Organizações Globo, a GloboNews, passa por reformas em sua identidade visual. Segundo a nota postada no site da emissora “O objetivo das mudanças é fortalecer o canal, tornando-o ainda mais vivo, dinâmico e interativo.”

Além da mudança na identidade visual a programação da emissora passará por modificações. O programa Em cima da Hora, passará a se chamar Jornal Globo News, tendo moficações em seu cenário também. As modificações na marca da emissora foram feitas pela empresa Crama Design Estratégico juntamente com a equipe de Arte da Rede Globo tendo como ponto de partida uma pesquisa encomendada à agência F/Nazca.

A reforma, ao meu ver bem sucedida, acaba forçando as concorrente Band News e Record News a tomarem uma posição. A emissora líder está muito a frente das concorrentes. Na minha opinião falta carisma para a Band News, já o problema da Record News é credibilidade.

O nível dos canais de informação do país pode ser observado em seus intervalos comerciais. Mesmo a Record News sendo uma emissora de sinal aberto o nível de sua publicidade é paupérrimo, o que acaba deixando a programação da emissora com um nível muito inferior ao das demais.

Mesmo com as reformas a GloboNews ainda não possui um telejornal regional como a Record News faz com as edições de determinada região do Brasil sendo transmitida para todo o país, é talvez sua única carência.

Thales Barreto

Alguns pensamentos sobre Tropa de Elite 2

O filme Tropa de elite 2 traz vários temas para reflexão do expectador após as duas horas de exibição. Violência policial, corrupção, omissão do estado em áreas de conflito… Porém a principal reflexão é sobre o que a sociedade realmente deseja.

Em determinado momento do filme o Coronel Nascimento (Wagner Moura) é aplaudido ao entrar em um restaurante após uma operação “em tese” mal sucedida, já que a situação estava controlada e mesmo assim o bandido Beirada (Seu Jorge) foi morto. Esses aplausos se repetem em algumas salas após o fim da película, será que queremos realmente uma polícia violenta?

O que você entende por justiça?

Pegando a onda de um dos vários temas levantados por Tropa 2 podemos fazer uma reflexão sobre o que realmente pensamos como justiça. Só privar uma pessoa da liberdade já não é suficiente? Não precisariamos refletir sobre uma reforma no sistema penitenciário? Será que o método da porrada está resolvendo? Por que não conseguimos recuperar nossos apenados? Que imagem temos de uma pessoa com passagem pelo sistema prisional?

Cegos…

Um dia antes de ver Tropa 2 pela segunda vez escutei esse debate realizado pelo professor da Famecos Roberto Tietzmann. Durante a conversa foi comentado que os personagens do filme faziam tudo pensando principalmente em si próprios.

Ouvindo isso fiz uma associação com o filme Ensaio sobre a Cegueira, baseado na obra homonima de José Saramago. Tropa 2 não seria mais uma maneira de mostrar nossa individualidade exacerbada? Será que ainda tem espaço para pensarmos no plural e não no singular?

Sobre Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro

O personagem mais popular do cinema nacional desde a Retomada volta às telas de cinemas. Agora mais maduro, mais estratégico e mais solitário, o Coronel Nascimento dá ao BOPE estrutura e força. Afasta o tráfico de muitas favelas.

Impede que os policiais corruptos faturem com o arrego do tráfico, apenas para descobrir que na segurança pública do Rio de Janeiro nada é o que parece, e que o problema a ser enfrentado não se restringe ao tráfico. O buraco é bem mais em baixo.

O destino da cidade e de Nascimento se cruzam em “Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro”. A partir de pesquisas intensas, o diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani construíram uma história atual, baseada em fatos reais que se misturam a história fictícia de Nascimento, da sua família, e de seus amigos, para falar da realidade do Brasil através do cinema.

Para enfrentar o desafio e apresentar ao público uma história tão envolvente quanto “Tropa de Elite”, Padilha e o produtor Marcos Prado contaram praticamente com a mesma equipe e o mesmo elenco do primeiro filme. Uma equipe integrada, que retomou com afinco e dedicação o desafio de continuar uma saga, e um personagem, que marcaram o cinema brasileiro para sempre.

Em Tropa de Elite 2, o sistema se reinventa e descobre como lucrar sem o intermédio do tráfico. Em perseguição ao caminho trilhado pelo sistema, o público acompanha Nascimento indo além dos limites do quartel, revelando as ligações das milícias com o Estado. E o preço por essa descoberta é alto. Não se sabe de onde vem o tiro.

Elenco: Wagner Moura (Nascimento), Irandhir Silva (Fraga), André Ramiro (Mathias), Pedro Von Held (Rafael), Maria Ribeiro (Rosane), Sandro Rocha (Russo), Milhem Cortaz (Fábio), Tainá Müller (Clara), Seu Jorge (Beirada), André Mattos (Fortunato), Fabrício Boliveira (Marreco), Emílio Orcillo Neto (Valmir), Jovem Cerebral (Braço), Bruno D’Elia (Azevedo).

Recomendo a leitura do post: Tropa de Elite 2: “O sistema é foda, parceiro!” do blog do @Sophos_.

Thales Barreto
Com informações do PressBook do Filme

Fotos: Reprodução/ Flickr/ Tropa2/ Divulgação

Boas histórias independem da plataforma.

Essa é a principal mensagem que está sendo repassada no 23º SET Universitário. No RBS Debates a mensagem foi reforçada diversas vezes pelo palestrante Maurício Mota. Marcelo Canellas, repórter especial da TV Globo, voltou a destacar que mais importante que a tecnologia são as pessoas em sua palestra na manha desta quarta-feira.

Os produtores de conteúdo precisam ter na mão boas histórias, isso é fundamental. Pouco importa a plataforma, ou as plataformas, que esse conteúdo será desenvolvido. A escolha das plataformas, a maneira como o conteúdo vai ser levado ao público deve ser pensado apenas em um segundo momento. As pessoas jamais devem ser esquecidas.

Veja o RBS Debates:

Assista a Palestra de Marcelo Canellas:

Thales Barreto