Simulações

Category Archives: Rio De Janeiro

Atropelamento expõe o Brasil

Em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul um sargento do exército atropela e mata uma mulher que atravessava a rua após sair do trabalho. O sargento foge do local do acidente. Ele estava embriagado e dirigia um carro importado. Rio de Janeiro, o filho do empresário mais rico do país atropela e mata um ciclista que retornava do trabalho para casa pelo acostamento. Segundo informações ele não havia ingerido bebida alcoólica.

Um ato que terminou com duas vidas, ao menos.

No primeiro caso o sargento ficou preso por algumas semanas sendo liberado e transferido de cidade pelo comando do exército. O caso segue em aberto esperando julgamento. No caso do filho do bilionário ele não foi detido e o carro, prova principal do crime, foi liberado pela polícia com a promessa do advogado de que seria mantido intacto. O carro, uma Mercedes Benz modelo SLR McLaren avaliada em 2, 7 milhões de reais, ficou destruído. O corpo do rapaz de 30 anos que perdeu a vida foi dilacerado pelo automóvel.

Só duas coisas são necessárias falar sobre esse caso. Primeiro, quem mata com automóvel jamais vai para a cadeia nesse país. O carro é uma arma onde o assassino sempre sai impune. Não esperem justiça, ela nunca virá. Segundo, enquanto ricos não forem para a cadeia nesse país ainda seremos sub desenvolvidos.

A desigualdade social que vivemos jamais diminuirá enquanto ricos estiverem acima do bem e do mal. O assustador culto a falecida dona da Daslu, grande sonegadora de impostos, a exaltação da imagem de Luciano Huck e sua mansão ilegal no litoral fluminense e o filho assassino de Eike Batista são somente alguns exemplos desse país onde a mediocridade impera.

A vítima e o herdeiro bilionário. Você acredita em justiça?

Imaginem como estaria a imprensa se o corpo dilacerado na BR-040 não fosse de um negro, ajudante de caminhoneiro e sim do loiro Thor Batista, um dos herdeiros da Fortuna de Eike Batista. Infelizmente nossa população não ficará comovida com a morte de Wanderson Pereira dos Santos como ficou com a do filho da atriz global. Precisamos evoluir muito para sermos considerados decentes.

Thales Barreto

Fotos: Reprodução Folha.com/ Divulgação

Ricardo Teixeira se afasta da CBF para tratar da saúde.

Depois de 23 anos e 2 meses no comando da Confederação Brasileira de Futebol Ricardo Teixeira pediu afastamento da presidência da entidade na tarde desta quinta-feira. Rumores davam conta que isso ocorreria na véspera do carnaval, porém foi adiada por algumas semanas. José Maria Marin é quem deve assumir o posto, ele ficou conhecido por embolsar uma medalha na decisão da Copa São Paulo de Juniores no começo deste ano.

Na prática pouca coisa deve mudar no comando da CBF. Isso foi assegurado por Marco Polo Del Nero, Presidente da Federação Paulista de Futebol em entrevista a rádio Estadão/ ESPN. Ricardo Teixeira está bastante enrolado em denuncias e sua relação, junto ao governo federal, é distante já que a presidente Dilma Rousseff não aceita se reunir com ele.

O presidente – entrevista de Ricardo Teixeira para a revista Piauí
Ricardo Teixeira pede licença da presidência da CBF alegando problemas médicos

A saída, em tese temporária, pode dar esperança para quem gosta de futebol. Claro que as mudanças que devem ocorrer no futebol brasileiro não ocorrerá agora. Os nossos problemas não serão solucionados apenas com a saída de Teixeira. Claro que ele precisa explicar muitas coisas, mas é necessário um pouco de otimismo nesse momento de incerteza.

Ouça a entrevista de Marco Polo Del Nero para a Rádio Estadão/ ESPN:

 

Thales Barreto

Foto: Divulgação/ CBF

Prédios desabam no centro do Rio de Janeiro

Três prédios ao lado do Teatro Municipal do Rio de Janeiro desabaram na noite desta quarta-feira  na capital Fluminense. Eles ficava na Rua Treze de Maio, próximo à Cinelândia. Segundo as informações divulgadas até agora os prédios teriam vinte, dez e quatro andares.

A suspeita de vazamento de gás foi afastada pelo prefeito em entrevista coletiva no local do desabamento.  Informações da Defesa Civil apontam 11 vítimas, sem dar detalhes sobre mortos ou feridos. Cinco feridos deram entrada no Hospital Souza Aguiar.

Até a tarde desta sexta-feira já haviam sido localizados mais de dez corpos, sendo que apenas cinco foram identificados. O primeiro sepultamento ocorreu na manha de sexta, 27. As causas do desabamento estão sendo investigadas. O corpo de bombeiros segue trabalhando no local.

Thales Barreto

Com informações do G1

As diferenças no combate às Drogas

Um colunista da revista Veja comparou as ações policiais de combate ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro e em São Paulo [Link]. Embora os objetivos estejam muito próximos, são casos diferentes.

O que a polícia fez no Rio de Janeiro foi uma recuperação de territórios. Nessas ações, atacou exclusivamente traficantes, já que não existia ali a figura do usuário, que consumia o produto longe dos pontos de venda de drogas.

Em São Paulo, a situação é mais grave, pois os usuários estão misturados com os pequenos traficantes. Embora o poder bélico seja extremamente menor, a ação da PM paulista ataca o doente, o que é um erro terrível.

A questão de apoiar ou não a ação em São Paulo passa pela compreensão do que está ocorrendo de fato na Cracolândia. Não é questão política, é questão de inteligência. Não se pode tratar o doente com repressão. Ele precisa de tratamento médico, não de balas de borracha.

Thales Barreto

Foto: Serjão Carvalho/ Flickr

Dez anos sem Cássia Eller

Cássia Eller era a dona de uma das mais potentes vozes da música brasileira. Cantava de Nirvana a Noite Ilustrada, passando por Beatles, Chico Buarque, Cazuza, Ataulfo Alves, Lobão, Nando Reis, Alcione, Renato Russo, Edith Piaf

A base musical de Cássia era vasta. Na adolescência chegou a participar de coral, além de atuar em uma banda de forró e em um trio elétrico.

Gravou seu primeiro disco em 1990, Cássia Eller tinha Não sei o que eu quero da vida, além de Por enquanto, de Renato Russo. Em 1992 lança O marginal e dois anos depois lança Cássia Eller 2 com Malandragem (escrita por Cazuza e Frejat para Ângela Rô Rô que recusou a música e viu ela estourar com Eller), ECT (de Nando Reis que viria a ser um dos mais importantes parceiros da carreira de Cássia), 1º de Julho e Música Urbana (ambas do Renato Russo).

Na Cadência do Samba (Ataulfo Alves), Lanterna dos Afogados (Herbert Vianna), Metrô Linha 743 (Raul Seixas) também estão presentes no Cássia Eller 2. Em 1997 Cássia lança seu quarto álbum, Veneno AntiMonotonia, onde presta uma homenagem a Cazuza regravando algumas das principais músicas do cantor e compositor. No ano seguinte apresenta uma versão ao vivo de seu último álbum com Veneno Vivo.

Em 1999, com a carreira consolidada, Cássia lança Com você… meu mundo ficaria completo, produzido pelo parceiro Nando Reis. Este é o último disco de estúdio da cantora. Entre as canções estão O Segundo Sol, Mapa do meu nada, Gatas Extraordinárias, Um Branco, Um Xis, Um Zero, Meu mundo ficaria completo, Palavras ao vento, Infernal, As coisas tão mais lindas, entre outras.

Cássia atingiria o auge da carreira em 2001. Logo no dia 13 de janeiro se apresentava no Rock In Rio 3 fazendo uma das melhores apresentações do festival. Em março grava o Acústico MTV, um dos melhores já produzidos pela emissora. No dia 29 de dezembro daquele ano viria a falecer em decorrência de um infarto, aos 39 anos.

Em 20 anos de carreira foram produzidos cinco discos de estúdio, três discos ao vivo e dois dvds, além de diversos discos póstumos e recompilações.

A morte da artista gerou um processo judicial entre os pais da cantora e a sua parceira, Maria Eugênia, pela guarda do filho de Cássia, Chicão. Ao fim do processo a guarda de Francisco foi mantida com Maria Eugênia. A vitória foi de extrema importância para o movimento gay.

Thales Barreto