Em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul um sargento do exército atropela e mata uma mulher que atravessava a rua após sair do trabalho. O sargento foge do local do acidente. Ele estava embriagado e dirigia um carro importado. Rio de Janeiro, o filho do empresário mais rico do país atropela e mata um ciclista que retornava do trabalho para casa pelo acostamento. Segundo informações ele não havia ingerido bebida alcoólica.
Um ato que terminou com duas vidas, ao menos.
No primeiro caso o sargento ficou preso por algumas semanas sendo liberado e transferido de cidade pelo comando do exército. O caso segue em aberto esperando julgamento. No caso do filho do bilionário ele não foi detido e o carro, prova principal do crime, foi liberado pela polícia com a promessa do advogado de que seria mantido intacto. O carro, uma Mercedes Benz modelo SLR McLaren avaliada em 2, 7 milhões de reais, ficou destruído. O corpo do rapaz de 30 anos que perdeu a vida foi dilacerado pelo automóvel.

Só duas coisas são necessárias falar sobre esse caso. Primeiro, quem mata com automóvel jamais vai para a cadeia nesse país. O carro é uma arma onde o assassino sempre sai impune. Não esperem justiça, ela nunca virá. Segundo, enquanto ricos não forem para a cadeia nesse país ainda seremos sub desenvolvidos.
A desigualdade social que vivemos jamais diminuirá enquanto ricos estiverem acima do bem e do mal. O assustador culto a falecida dona da Daslu, grande sonegadora de impostos, a exaltação da imagem de Luciano Huck e sua mansão ilegal no litoral fluminense e o filho assassino de Eike Batista são somente alguns exemplos desse país onde a mediocridade impera.

A vítima e o herdeiro bilionário. Você acredita em justiça?
Imaginem como estaria a imprensa se o corpo dilacerado na BR-040 não fosse de um negro, ajudante de caminhoneiro e sim do loiro Thor Batista, um dos herdeiros da Fortuna de Eike Batista. Infelizmente nossa população não ficará comovida com a morte de Wanderson Pereira dos Santos como ficou com a do filho da atriz global. Precisamos evoluir muito para sermos considerados decentes.
Fotos: Reprodução Folha.com/ Divulgação




