Simulações

Category Archives: Política

Torres, Perillo e Cachoeira…

Sob o título de “O crime domina Goiás” a revista Carta Capital apresenta denuncias que ligam o democrata Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira ao atual governador goiano Marconi Perillo (PSDB) e ao comando do estado. Os exemplares da revista sumiram das bancas goianas, aumentando as suspeitas contra Perillo.

Governador de Goiás - Marconi Perillo

Demóstenes Torres (DEM-GO) deve ser expulso do partido nas próximas horas. O próprio já se reconhece como “morto politicamente” após a divulgações das gravações com Cachoeira. O processo para sua saída do Democratas já foi iniciado e o caso deverá se agravar com uma provável cassação no senado.

Entenda as denuncias contra Demóstenes.

O que deixa a população curiosa é que o que derrubará um senador dificilmente arranhará a imagem de um governador. O nome de Perillo é abafado quando tratam o caso, o que é grave. Marconi comanda um estado importante, que não é mais desenvolvido por problemas políticos. Vale lembrar que o ex-senador também é um nome forte dentro do PSDB fora do núcleo de São Paulo.

Goiás não deveria ser terra de coronéis, porém a mordaça sofrida pela imprensa (lembrem sempre da Rádio K do Brasil) é só um forte detalhe do atraso em que o estado passa na mão de quem o governa.

Atualizando: No final da tarde desta terça-feira o Senador Demóstenes Torres pediu o desligamento do DEM, o partido já abria processo para sua expulsão.

Thales Barreto

Foto: Divulgação/ Flickr – Marconi Perillo

Proibição não impede morte de torcedores

Na tarde deste domingo cerca de 300 pessoas se envolveram em uma briga motivada por futebol. O conflito ocorreu na zona norte de São Paulo entre “torcedores” do Palmeiras e do Corinthians horas antes do jogo entre as duas equipes pelo campeonato estadual. O jovem André Alves, 21 anos, morreu baleado com um tiro na cabeça. Outros envolvidos foram detidos ou ficaram feridos.

No Congresso Nacional está em debate a Lei Geral da Copa que prevê, entre outras coisas, a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante o mundial que ocorrerá no Brasil em 2014. A bancada evangélica cita a suposta diminuição dos índices de violência como um resultado da medida que proíbe a venda de bebidas nas arenas do país.

Mesmo com a proibição jovens ainda são mortos, fora das estádios, nos conflitos entre essas gangues que se travestem de torcedores para arrumar confusão. Ao meu ver não é proibindo o álcool nos estádios que vamos diminuir a violência. É necessário medidas alternativas para que os baderneiros/ vândalos sejam realmente punido como acontece em outros países.

Thales Barreto

Partidos pensam em si e esquecem SP

A corrida pela prefeitura de São Paulo ganhou novos rumos desde a semana passada quando o ex-prefeito e ex-governador paulista José Serra decidiu entrar na disputa. Serra foi convencido por Geraldo Alckmin, governador do Estado, e por Gilberto Kassab, prefeito paulista, como o único nome dentro do PSDB que poderia derrotar o PT.

Com a movimentação de José Serra, Kassab abandonou as negociações para apoiar Fernando Haddad e deve indicar o nome do vice que formará a coligação com o tucano. O problema é que Serra só aceitou concorrer quando faltava pouco mais de uma semana para as prévias do PSDB. Dois nomes (Andrea Matarazzo e Bruno Covas) já retiraram suas candidaturas em nome do ex presidenciável. O problema é Ricardo Tripoli e José Aníbal, que seguem firmes na disputa interna. As prévias foram adiadas do dia 4 para o dia 25 de março.

No meio da confusão tucana o pouco que se debate é o que será feito por São Paulo. Andrea Matarazzo já declarou que o adversário do PSDB não são os problemas da cidade, mas sim o PT. A questão sobre os nomes que devem representar o partido em uma disputa eleitoral é de interesse apenas do partido, só que Serra é personalista e já demonstrou interesse em disputar o Palácio do Planalto em 2018.

Resumindo:

1. O PSDB enfrenta uma crise fortíssima e se arrisca ao apostar em alguém como José Serra. Talvez resolverá o problema do partido neste momento, mas poderá criar outras complicações no futuro.

2. O debate deveria ser focado nos problemas que a cidade de São Paulo enfrenta e nas alternativas para solucioná-los. Neste momento os principais partidos pensam em si e esquecem os paulistanos.

Thales Barreto

Foto: Site Oficial de José Serra/ Hélia Scheppa

Gravações provocam a desocupação da Assembleia baiana

A divulgação, pela TV Globo, de gravações autorizadas pela justiça que mostram uma conversa entre os líderes do motim da polícia militar baiana fez com que Marcelo Prisco, principal liderança grevista, recuasse e se entreguasse na manhã desta quinta-feira. O exército, que cercava a assembleia legislativa, ocupou o prédio após o acordo com Prisco, que foi detido em cumprimento de um mandato judicial.

As gravações exibidas no Jornal Nacional mostram que a principal intenção dos amotinados era provocar o caos, forçando o governo a negociar com os policiais militares. Ainda nos áudios apresentados pelo telejornal é possível identificar a intenção de provocar essas paralizações em outros estados, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Como pano de fundo dessas manifestações está a PEC 300, que melhoraria substancialmente os salários dos policiais.

Segundo a Constituição Brasileira, militares não podem se sindicalizar nem realizar greves, o que comprova a ilegalidade do que ocorreu na Bahia. Claro que a questão salarial é apenas um dos diversos problemas enfrentados pela nossa polícia, e que deve ser resolvido pelos governos.

Não acho a reivindicação por melhorias no salário algo errado, pelo contrário, merece apoio. O problema é a maneira como essa negociação é desenvolvida. Em nove dias, foram mais de 150 mortos na Bahia, além de eventos cancelados e uma sensação de insegurança tomando conta das ruas.

Já comentei aqui no blog que a paralização dos PM baianos estava apenas ajudando os bandidos. É inaceitável que um Estado brasileiro fique refém de um cidadão que representa uma classe da qual não faz mais parte. Os avanços para melhorar as condições de trabalho dos policiais devem continuar, porém os negociadores devem ser mais habilidosos.

Thales Barreto

Greve da polícia baiana ajuda bandidos

A polícia militar baiana está em greve desde a noite da última terça-feira quando uma assembleia aprovou a paralisação. Os policiais pedem o cumprimento do pagamento da Gratificação por Atividade de Polícia (GAP) IV e V, além de regulamentação do pagamento de auxílio acidente, periculosidade e insalubridade.

O sargento Fabio Britto, diretor jurídico da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), declarou ao G1 que os policiais exigem o cumprimento das leis 12.505 e da 12.191, sancionadas por Dilma e Lula. Essas leis tratam da anistia dos policiais punidos que lutaram por melhorias salariais entre 1997 e 2001. De acordo com Britto essas leis não estão sendo respeitadas pelo governo baiano.

Com a greve da polícia os números referentes a criminalidade subiram de maneira assustadora. Em Salvador foram registrados 29 homicídios em 30 horas, sendo 28 deles cometidos na sexta-feira. Entre terça-feira início da greve e este sábado já foram registrada 59 mortes. O governo federal enviou tropas para tentar conter a onda de violência e proteger a população. Alguns espetáculos culturais foram cancelados, o show do cantor Criolo foi confirmado para a Concha Acústica.

Coincidência ou não os policiais militares entraram em greve logo após uma cozinheira ficar cega depois de ser agredida por um PM durante um show do Olodum. O caso foi comentado aqui no blog e os agressores já foram identificados.

A reivindicação por melhores salários é justa. O momento é oportuno, já que o carnaval de Salvador é mundialmente conhecido e, pelo que se sabe, seguro. O problema é que a sociedade está a mercê de bandidos que já fizeram duas dezenas de vítimas em menos de 24 horas. Os relatos de violência assustam.

O estado tenta reestabelecer a ordem com o uso equivocado do exército, enquanto os policiais correm o risco de perder apoio popular na briga por uma causa justa, pois deixaram aqueles que pagam seus salários sem proteção. O caso é delicado, mas precisa ser solucionado rápido e com bom senso. Até esse momento grevistas e bandidos estão jogando no mesmo time.

Thales Barreto