Escolheu a corda na principal loja da cidade. Preparou o nó com cuidado. Organizou as coisas com carinho. Escreveu as últimas linhas com preocupação. Ouviu a música preferida pela última vez. Questionou a amada ao telefone. Juntou seus cacos pela casa. Chorou.
Banhou-se devido o calor infernal. Vestiu-se como se fosse a uma festa. Revisou o nó. Vagou pelas ruas próximas como se pedisse socorro. Foi ignorado. Sorriu.
Voltou ao seu canto. Revisou a organização dos documentos. Revisou a organização da casa. Beijou o bilhete que ficou sobre a mesa. Instalou sua forca. Trincou o vidro da mesa. Subiu na mesa. Olhou em volta. Já não possui nenhuma expressão em seu rosto. Pulou.
Toca o telefone. Toca a campainha. Forçam a porta. Ninguém responde. O cheiro ruim espalha-se. Arrombam a porta semanas depois. Os animais estão vivos. Falta tirar o pó.

Uma metade morta de alguma coisa que não deixou rastros. Uma parte sem vida, sem sonhos, sem desejos. Um resto, uma migalha, um nada. Algo quebrado que deixou de funcionar. Um passado. Um sonho interrompido. Um lixo.
