Armando Nogueira, falecido em março último, tratava o futebol com poesia. De seu cérebro privilegiado sairam crônicas de se encher os olhos. Porém o amante do esporte não conseguiu passar para as gerações atuais a seriedade com que o tema precisa ser tratado. Claro que não precisa ser a seriedade de um colunista de economia, mas também não pode ser tratado como um cadáver em um programa policial. #
O esporte movimenta bilhões de dolares por ano. Envolve a emoção de pessoas de qualquer classe social. Paralisa países em grandes finais. Qual o motivo que estaria levando o jornalismo esportivo para um lado triste? O que esta ocorrendo para que o jornalismo esportivo brasileiro se torne um palhaço melancólico? #
No desespero após sofrer anos com uma turma de mexicanos a TV Globo resolveu investir em um programa esportivo mais leve para o horário do almoço. Não que o problemático Globo Esporte não fosse rápido, 30 minutos, mas ele precisava chamar a atenção. Outro programa também da mesma emissora vinha sofrendo com a saída do veterano Léo Batista. “Os gols do fantástico” precisava de uma reformulação, de algo que movimentasse o público. #
Com isso a TV Globo começou a tratar o jornalismo esportivo como entretenimento. É por isso que hoje Tiago Leifert apresenta o Globo Esporte São Paulo. Já que para o resto do país é feito um programa similar porém mais abrangente. Após sofrer em seu início o programa “estabilizou” e conseguiu uma folga na liderança de audiência. #
Já o Fantástico, pelas mãos de Tadeu Schmidt, criou quadros e transformou os gols da rodada em espetáculo circense, inclusive com direito a musical brega. Perde-se em qualidade ganha-se em audiência. Não pensar é fundamental. Infelizmente a maneira “não jornalistica” de se falar de esporte contaminou outros produtos da emissora, como os canais pago SporTV e PFC. Esse último com sérias deficiências em suas transmissões. #
Em contrapartida temos a revista Trivela, muito superior a concorrência e na televisão fechada a ESPN mostrando que se pode falar de todos os esportes de uma maneira não circense e também não “jornalismo de economia”. O meio termo consegue ser sério e leve. Infelizmente o leitor de Trivela e o telespectador de ESPN precisam ligar o cérebro na tomada. Aposto que Armando optaria pelo canal concorrente ao qual trabalhou. #


Thales,
não queira transformar Armando Nogueira em regra. O cara era gênio. E gênios não se encontrar fácil por aí…
Agora, te faço uma pergunta: o esporte não é uma forma de entretenimento e lazer?
Na minha visão, é. Eu não vou a um estádio de futebol com o mesmo espírito que vou a um ato político. Não. Eu vou pra me divertir.
Por isso não acho errado a forma como a que a Globo trata o seu esporte. Acho válido, principalmente se está dando retorno. Ou seja, tá dando certo.
Não que isso venha desmerecer a ESPN e a Trivela, ambas de muita qualidade também. Só é outro enfoque, que há de ser respeitado.
A minha única crítica ao jornalismo esportivo – e, escrita por mim, vira quase uma auto-crítica – é a falta de comprometimento com os fatos. Esquecem-se, os jornalistas, que esporte é esporte. Nada mais. Acho que não precisava celebrizar um jogador de futebol a ponto de seguir seus passos e se transformar quase em um paparazzi. É bom a gente lembrar que eles respondem as mesmas coisas, porque a gente pergunta a mesma coisa, sempre. A mesmice é quase automática.
O que falta no jornalismo esportivo é justamente o jornalismo. Falta a investigação do que está sujo, do que não está certo, onde está a roubalheira. Todo mundo sabe que existe roubalheira, principalmente no futebol, mas ninguém investiga, ninguém investe.
E não só no futebol. Olha a quantidade de lugares que estão abandonados, onde a verba do esporte deveria chegar… Falta jornalismo ao jornalismo esportivo.
Agora, pegar por uma via mais humorística. Isso, na minha opinião, vale. Ninguém vê um jogo de futebol a fim de se estressar, mas ninguém quer ser trouxa para pagar uma mensalidade ao clube e ver esse dinheiro ser desviado…
Oi Tiago,
Jamais quis transformar Armando Nogueira em regra, na verdade quis citá-lo como oposto ao que vem acontecendo principalmente nas Organizações Globo.
Sim, esporte é uma forma de lazer, mas isso não quer dizer que precise imbecilizar. Respeito os profissionais competentes, apenas discordo da linha editorial, que acredito que não seja das melhores.
“Esporte é esporte, mas para se fazer uma copa do mundo no Brasil será gasto 6 bilhoes de reais, esporte é só esporte?
“O que falta no jornalismo esportivo é justamente o jornalismo. Falta a investigação do que está sujo, do que não está certo, onde está a roubalheira.” Com a linha editorial empregada na globo o jornalismo não pode aparecer. Concordo sobre a mesmice.
Como disse não precisa ser sério, como no jornalismo econômico, mas não precisa ser bizarro como no GE-SP, onde ao fim de uma matéria não se sabe sobre o que ela realmente falava.
Abraços e estava com saudade disso.