Simulações

19 anos da morte de Cazuza

“Três da madrugada era o horário de Cazuza fazer sua nebulização. Medi sua pressão, que estava sete por quatro, baixa, mas não tão baixa. Estava deitado em decúbito lateral direito. Começamos a nebulização e, pela primeira vez em todo esse tempo de tratamento, fez um gesto desconhecido: arrancou a máscara e a jogou de lado. Disse: Cazuza, não faça isso! E coloquei a máscara outra vez. Cazuza a tirou novamente. Ele já não falava e não disse mais uma palavra sequer. Mas insisti: Cazuza, não seja teimoso! Não tire a máscara! Então, quando ajeitei o elástico atrás de sua cabeça, fiquei segurando para que ele não a soltasse mais. Ajeitei sua mãozinha fina no peito e ele se aquietou. As seis da manhã acordei para nova nebulização. Cazuza estava na mesma posição, com os olhinhos fechados. Comecei a dizer: Cazuza, vamos fazer nebulização. Ele não se mexia, não abriu os olhos. Mesmo com a pressão baixa, ele sempre dava um sinalzinho de vida. Achei aquilo esquisito. A pressão, eu não conseguia ouvir. Virei Cazuza de barriga para cima e sua respiração estava pesada. Liguei o nebulizador e nada, nenhum sinal. Quando saí para a cozinha e entrei no corredor, encontrei seu João. Telefonei para o doutor Paulo Lopes às seis e meia”. #

Trecho do livro “Cazuza: Só as mães são felizes” de Lucinha Araújo em depoimento a Regina Echeverria #

#

Tagged on: , , , , ,

4 thoughts on “19 anos da morte de Cazuza

%d blogueiros gostam disto: